[ POLÍTICA ] Por Ícaro Olegário

Nóis qué um Inpitiman da Dilma

Publicado em 27 de fevereiro de 2015

Para começar…

IMPEACHMENT
Repita comigo: Im - pe - a - chment
Muito Bem!

Impeachment - s.m. Impugnação de mandato; processo de cassação feito a partir de uma denúncia crime contra uma autoridade, geralmente um presidente, sendo a sentença proferida pelo poder legislativo.

Pronuncia-se: /impítchman/
Etm. do inglês: impeachment
Sinônimo: impedimento
Classe gramatical: substantivo masculino
Separação das sílabas: im-pe-a-chment
Plural: impeachments
Bom, vamos lá…

O refrão de uma das letras de Gilberto Gil, diz assim: “O povo sabe o que quer, mas também quer o que não sabe”. Isso me faz lembrar as manifestações de 2013, onde milhares de brasileiros foram as ruas pedir, gritar, brigar e exigir, acordando o tal “gigante adormecido”. E quando a tempestade passou, para a surpresa dos intelectuais de plantão e dos cientistas políticos de carteirinha, voltamos a estaca zero. Tudo bem, nesse meio tempo chegou o Big Brother, a nova Novela das 8, o Carnaval e a Copa do Mundo, e tudo conspirava a ser como era antes.

Logo após veio um dos processos eleitorais mais conturbados dos últimos anos, lembrando embates históricos como o de 1989 entre Lula, Collor, Maluf, Brizola e outros (o que no meu caso só pelo YouTube mesmo, pois tinha apenas 2 anos). A briga se restringiu a Dilma, Aécio e a Marina, história essa que todo mundo conhece e fatalmente ainda não teve tempo de esquecer. Mas para você leitor, que infelizmente sofre de amnésia ou é portador de Alzheimer, vou tentar resumir…

ACONTECIMENTOS
Um avião caiu; Um candidato morreu; Dilma passou mal; Malafaia Tuitou; Aécio caiu, Marina subiu; Aécio subiu, Marina caiu; Dilma subia e a bolsa caia, Dilma caia e a bolsa subia.

ASSUNTOS QUE VIRARAM MODA
Margem de erro do Ibope; Inflação; Independência do Banco Central; Criminalização da Maconha e da Homofobia; Helicópteros com cocaína; Aeroportos; Direitos Trabalhistas; Mudanças em Planos de Governo; Falta de Planos de Governo.

FRASES QUE MARCARAM

“Até onde saiba, aparelho excretor não reproduz”
“A senhora está sendo leviana”
“Deu o desespero. Viu que ela passou mal no final?”
"Chamar ela de leviana? Só podia ser um filhinho de papai!"
"Eu, candidato, não dirijo sob álcool e droga."
"Podemos fazer o diabo quando é hora de eleição"

Calma!

O problema era que Dilma estava fragilizada e, tirando a taxa de desemprego, ela não estava nada bem das pernas, mesmo tendo a máquina na mão, o estado emparelhado, o maior tempo de TV, a possibilidade de barganha de cargos, o apoio popular, os serviços incondicionais dos Correios, o Bolsa Família, além do quarteto fantástico Maluf, Collor, Sarney e Lula. Tudo ISSO não foi o bastante. Dilma assistiu Marina ir bem nas entrevistas de TV, nas sabatinas de jornais e atropelar nas pesquisas. Ela não podia ficar de braços cruzados e teve que tomar uma atitude, ou melhor, deixou seu marqueteiro trabalhar.

A campanha do Tiro, Porrada e Bomba tinha começado, o primeiro alvo foi Marina e suas contradições, para desconstruí-la foi necessário muita criatividade, energia, dinheiro e tempo de TV. ( Agora sim cheguei aonde queria chegar! ) Foi exatamente nesse ponto que Dilma e o PT venderam suas almas já comprometidas, diga-se de passagem, para o Diabo. O terrorismo tomou conta da campanha e ela teve que mentir demais, congelou preços, omitiu dados, maquiou tudo que podia maquiar, vendeu um país que não existia, e estava tão determinada que teve a coragem de comparar Marina a Fernando Collor, mesmo dividindo o palanque com ele, gozando de seu apoio e de seus eleitores.

No fim das contas o povo acreditou e confiou (pelo menos 51% dele). O problema é o grande abismo que separa o discurso de campanha e a prática das ações do governo Dilma, além é claro do choque de realidade inevitável que veio acontecer. Hoje, o povo finalmente se deu conta que foi iludido, simplesmente para manter um projeto de poder e não um projeto de país. A presidente foi eleita com um conjunto de compromissos e promessas e logo após a sua posse, tudo aquilo que ela garantiu e defendeu não se confirmou (O PROCON chama isso como Propaganda Enganosa, já na minha terra, chamamos de Trairagem mesmo). Hoje, nós temos um país a um passo da recessão, com crise energética, crise hídrica, crise econômica, aumento de impostos e tarifas, desemprego, retirada de direitos trabalhistas, não temos mais credibilidade com investidores e com uma crise ética sem precedentes.

Não vou aqui listar o pacotão de maldades, o texto já está longo demais. Também não vou falar o que representa o Ministério que foi dado de presente para Kátia Abreu, mais conhecida como “Rainha da Motosserra”, muito menos vou me alongar sobre o maior escândalo de corrupção do Brasil (talvez do mundo, sem exageros) que passou por debaixo dos bigodes da Dilma, mesmo antes, quando era presidente do Conselho de Administração da Petrobras, e depois que se tornou a presidente desse país. Já nesse caso, ou ela foi omissa ou negligente ou imprudente (Se não for os três juntos!).

Por esses motivos, os gritos pelo Inpitiman, ops, Impeachament vem ganhando força pelos quatros cantos do Brasil. E aí é que está o grande problema! Hoje ainda não existe argumentos jurídicos que sustentem a abertura de um processo legítimo de Impeachament. Não até se provar real responsabilidade ou participação de Dilma no escândalo da Petrobras.

Muita gente que só está indignada com o aumento criminoso da gasolina, vem aderindo essa ideia sem ao menos saber o que significa e o que representa. Sabe aquela criança que quando começa a perder o jogo, para e diz que não quer mais brincar? Então, é essa! É a famosa turma do "Inpitiman"!

Nossa constituição não permite esse MI MI MI. Por isso temos que ter muito cuidado para não jogar as conquistas da nossa jovem e imatura democracia na lata do lixo. O ideal seria usar toda essa energia para cobrar uma reforma política profunda, com o fim do financiamento privado nas campanhas e uma distribuição justa do tempo de TV, por exemplo. Afinal de contas, para cobrar o certo, temos que fazer o certo também.

Agora... Se os orgãos de fiscalização confirmarem a participação da Dilma nesses esquemas de corrupção (o que acredito sinceramente que não vai demorar), ai sim caro leitor, vamos para as ruas exigir o tal Inpitiman, digo, Impeachament!

Se você está por fora de como funciona esse processo, se liga ai... E para finalizar separei 3 vídeos interessantes...
As imagens da coluna são de Francis Underwood, personagem principal da série House Of Cards  , considerada a melhor série política de todos os tempos, que por coincidência lança hoje sua terceira temporada no Netflix. Para quem ainda não conhece, vale a pena separar um tempo para assistir.



Comentários

Ícaro Olegário

icaro@jornalpress.com.br
Um olhar menos sisudo sobre a politica, sempre com uma pitada de ironia e deboche, buscando diferenciar a política da politicagem. Uma visão particular da guerra entre Coxinhas e Petralhas.

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