[ ESPORTE ] Por Tiago Oliveira

Futevôlei

Publicado em 07 de janeiro de 2016
Futevôlei

Futevôlei Foto: Divulgação Conheça um pouco da história deste esporte tão amado entre os brasileiros, principalmente por jogadores de futebol.

História

Ninguém jamais saberá quem foi o inventor desse jogo. Certamente, os pioneiros deste esporte foram garotos cariocas conhecidos como “praieiros e ratos de praia”, liderados pelo arquiteto e esportista Otávio Moraes, o TATÁ. Esses garotos que chegavam à praia logo que amanhecia e só voltavam para casa quando anoitecia eram moradores de Copacabana.

No ano de 1962, em plena época da ditadura, com a polícia proibindo a prática do futebol e linha de passes na praia a partir de um horário definido, Otávio e seus amigos resolveram jogar futebol utilizando as traves (sem redes) das quadras de futebol de areia. Riscavam com os pés os limites da quadra dos dois lados da trave, de forma que estas se transformassem em quadras semelhantes à de vôlei, e os jogadores podiam tocar a bola com os pés ou com a cabeça. Como no vôlei, a bola não podia tocar no chão dentro da área demarcada.

Essa quadra ficava em frente à Rua Bolívar e era famosa na época, pois nela jogava uma equipe formada por jogadores olímpicos e da seleção brasileira de futebol. Essa rede era o ponto de encontro de todos os jovens, moradores e frequentadores da praia, que armavam suas sombrinhas ao lado da quadra para assistir aos sensacionais jogos.

A maioria dos pioneiros do futevôlei não se interessava pelo vôlei, mas sim em esperar que os jogadores olímpicos parassem de jogar e dessem a eles uma oportunidade de usar a bola e as traves para jogar futevôlei. Entretanto, os rapazes continuavam impedidos de jogar, já que continuava faltando o essencial: a bola. Isso porque os jogadores de vôlei se negavam a emprestá-la, alegando que iriam deformá-la com os seus golpes. Devido a essa alegação, os jogadores de futevôlei desistiram de pedir a bola e passaram simplesmente a pegá-la escondido. E, é claro, esperar até que os donos viessem reclamar por ela.

Inicialmente, o futevôlei era jogado com seis jogadores, igual ao vôlei, já que apareciam muitos interessados em participar do “joguinho”, como era chamado. Mas, com seis de cada lado, a bola demorava muito a cair e o jogo ficava desinteressante. Passou-se a jogar em outras quadras e com muita gente esperando sua vez..

Na década de 1990, o surgimento das primeiras associações e federações estaduais deu início à organização do esporte. Em 1998, foi constituída a Confederação Brasileira de Futevôlei (CBFv), na cidade de Goiânia (Goiás), e foram realizados os primeiros campeonatos brasileiros (oficias) da modalidade, destacando grandes jogadores como: Renan, Helinho, Belo, Magrão, Marcelinho, Dico, Alexandre, Guigui e outros.

No ano de 2002 foi fundada a Federação Internacional de Futevôlei – FIFV. Em 2003, o esporte foi oficializado pela FIFv, realizando o Primeiro Mundial em Atenas (Grécia), com a participação de 18 duplas, dos seguintes países: Brasil, Polônia, Itália, Portugal, Canadá, Espanha, Noruega, Tailândia, Áustria, Alemanha, Holanda, Uruguai, Suíça e Grécia. Os brasileiros Helinho e Magrão sagraram-se oficialmente os primeiros campeões mundiais de futevôlei.

Expansão:

O futevôlei é uma modalidade desportiva em expansão. Atinge maior espetacularidade quando praticada por duplas, exigindo uma excelente condição física e um leque enorme de atributos técnicos. A variante de quadras pode ser praticada por uma faixa etária bastante alargada.

A massificação da prática em nível mundial poderá levar o futevôlei, a médio prazo, a ser considerado modalidade olímpica, havendo já esforços nesse sentido, por intermédio das federações internacionais.

Em Rio das Ostras, interior do Rio de Janeiro, não é diferente, com uma grande quantidade de praias disponível para a prática do esporte, surgiu a Equipe Rio das Ostras de Futevôlei, que tem como objetivo ensinar os fundamentos do esporte, misturando treinos específicos do futevôlei com treinamento funcional, para crianças, adulto e até mesmo para pessoas da 3ª idade. A Equipe Rio das Ostras de Futevôlei, que completou seu 1º Ano de existência em dezembro de 2015, já colhe bons frutos com seus alunos. O maior destaque deles é o aluno Matheus Machado, de 21 anos, que em dezembro ficou em 2° lugar nos Jogos Cariocas de Verão, realizado na praia de Copacabana, junto com seu parceiro Fernando.

Também em dezembro, um dos idealizadores do projeto, Felipe Cabral, junto com seu parceiro Wagner Carioca (Atleta Profissional de Futebol), participaram da Copa Sol & Gás, realizada no Praia do Forte em Cabo Frio, ficando em 3º lugar.

O Futevôlei vai muito além de diversão ou uma opção para treinos e aquecimentos. Essa modalidade 100% brasileira, que é praticada por muitos atletas profissionais, também contribui para o cuidado com a saúde.

De acordo com Diego Peixoto, um dos professores do projeto, o Futevôlei vai além da prática esportiva:
- Em primeiro lugar, o Futevôlei melhora o convívio social, com a interação entre amigos e cooperação com trabalho em equipe. Mas é preciso treinar. Isso melhorará a habilidade social e o círculo de amigos.

Com a prática dessa modalidade, os exercícios intensos ajudam no condicionamento físico trabalha músculos da perna, coxa, panturrilha, glúteos, quadríceps e abdômen, em cada hora de treino, ocorre perda de cerca de 500 calorias Isso resulta em mais disposição para os praticantes.” Finalizou.

O futevôlei ajuda a melhorar a noção de espaço e reflexo, o que não se consegue apenas malhando na academia.

A prática de Futevôlei gera menos lesões, por ser praticado na areia e ter menos impacto. Por isso muitos atletas praticam essa modalidade como complemento de treino para o futebol.

Para quem está fora de forma, não há restrições de idade ou peso, mas é necessário mudar o complemento de condicionamento físico.

Enfim, melhora bastante condicionamento físico e cardiorrespiratório.

Conheça alguns Fundamentos técnicos do Futevôlei:



Futevôlei Foto: Divulgação SAQUE - O saque é a ação que inicia uma jogada. É executado com o pé, sendo exigível a bola estar colocada na areia atrás da linha de fundo, devendo passar por cima da rede, na direção do campo adversário. Existem várias técnicas de execução do saque, podendo ser variada a região do pé que pontapeia a bola (ponta do pé, zona interna e externa do pé e tornozelo) e a trajetória que se pretende na execução do serviço (com ou sem efeito). Para realizar o saque é aconselhável colocar a bola num pequeno monte de areia para que o pé, na altura do contato com a bola, apenas atinja esta.



Futevôlei Foto: Divulgação RECEPÇÃO - A recepção consiste em receber a bola colocando-a em condições ótimas para que o parceiro possa realizar o segundo toque em condições de ser atacada com um máximo de eficiência. Esse segundo toque poderá ser de ataque, enviando a bola imediatamente para o campo adversário, ou passe para um melhor enquadramento da jogada.

LEVANTADA - A levantada é o segundo toque da equipe que recebe a bola enviada do campo adversário. Consiste em colocar a bola proveniente do parceiro (que executou a recepção) em condições de ser atacada com o máximo de eficiência. De modo a facilitar a levantada, a recepção deve enviar a bola para próximo da rede, possibilitando assim que o passador em deslocamento para o centro da rede execute um passe eficaz, tornado o ataque “agressivo”. A levantada pode ser efetuada com os pés, coxas, cabeça, ombros, sendo mais eficiente com o peito. Este fundamento requer um bom posicionamento na quadra, pois quanto mais próximo da rede o jogador estiver, mais facilmente poderá levantar a bola em condições perfeitas para o ataque.

ATAQUE - O ataque consiste em colocar a bola no campo adversário de forma a fazer com que o mesmo não tenha condições de devolvê-la. Para isso é necessário enviar a bola com um grau máximo de dificuldade para a recepção do oponente. Os ataques podem ser:

- Curtos (pingo): onde o atacante coloca a bola próximo da rede
- Longos: onde a bola é colocada no fundo do campo
- Na diagonal, a bola cruza o campo adversário.
- Paralelos: em que a bola é colocada paralelamente às linhas laterais
- Em força, quando o atacante golpeia a bola com violência fazendo-a ganhar velocidade.

O ataque pode ser realizado com os pés, coxas, canelas, ombros, peito, mas a cabeça é o ponto mais utilizado e mais eficaz na maioria das situações.

O tipo de ataque vai depender do posicionamento defensivo do adversário, do atleta escolhido para efetuar a defesa (geralmente ataca-se o atleta de pior ataque ou pior defesa) e das condições em que o parceiro coloca a segunda bola. É primordial, para realizar um ataque eficiente, que a segunda bola esteja próxima da rede e a uma altura que permita realizar o ataque com um máximo de eficiência.

No futevôlei contemporâneo, foram desenvolvidos alguns tipos diferentes de ataques:

Futevôlei Foto: Divulgação

SHARK ATTACK - consiste em atacar a bola com a parte de baixo do pé (aquela que toca o solo), fazendo um ataque com força.

BICICLETA: consiste em um ataque de força, no qual ataca-se a bola com o movimento da bicicleta realizada no futebol.

FINTA: consiste em um ataque onde o atleta faz uma finta com a cabeça, enganando o adversário.

DEFESA - A defesa consiste em impedir que o ataque adversário faça tocar a bola no solo da sua quadra. Para realizar uma defesa eficiente é necessário:

Um correto posicionamento no campo, que deve ser previamente combinado com o parceiro, para que não haja dúvidas de quem deve receber a bola em determinada posição;

Antecipação da jogada, que consiste em observar o posicionamento e atitude do adversário, antevendo-a, e colocar-se de forma inteligente para a execução da recepção;

Preparação física e técnica para se movimentar em direção à bola com rapidez e efetuar o passe com eficácia; Cobertura do ataque, que consiste em resguardar os espaços deixados pelo parceiro, quando o mesmo se desloca em direção à rede para efetuar o ataque. Deve-se também observar o ataque adversário para descobrir as zonas do campo que são mais utilizadas nas suas ações, para que se possa antecipar essas jogadas

PONTUAÇÃO - Existem algumas formas de disputar uma partida sendo as mais utilizadas as seguintes:

Melhor de 3 sets: a equipe vence a partida quando ganha 2 sets. Cada set é disputado até aos 18 pontos (pontos diretos), exceto o 3º set, que será até aos 15 pontos, tendo o vencedor de conseguir dois pontos de diferença sobre o adversário em qualquer um dos sets. Isto implica que se o resultado estiver em 17-17, ou no caso do 3º set 14-14, terão de ser disputados os pontos necessários até que uma das equipas consiga essa vantagem.

A equipe vence a partida quando ganha 1 set de 21 pontos com uma diferença mínima de 2 pontos.

A equipe vence a partida quando ganha um set de 18 pontos com diferença mínima de 2 pontos.

A equipe vence a partida quando ganha um set de 15 pontos com diferença mínima de 2 pontos.

DIMENSÕES DA QUADRA - A quadra de jogo é retangular, medindo 18m x 9m.

SUPERFÍCIE DE JOGO - O piso deve ser de areia, nivelado, o mais plano e uniforme possível, livre de pedras, conchas ou qualquer outro objeto que possa representar risco de cortes ou ferimentos nos jogadores.

DEMARCAÇÕES - As demarcações devem ser com fitas. Duas linhas laterais e duas linhas de fundo delimitam o campo de jogo, ambas estão situadas dentro do campo de jogo. Todas as linhas (fitas) têm de ter entre 5cm a 8cm de largura. As linhas devem ser de cores bem contrastantes com a cor da areia. REDE - A rede mede 9,5m de comprimento por 1m de largura, com uma variação máxima de 3cm quando esticada e colocada verticalmente sobre o eixo central do campo. Os bordos superior e inferior são delimitados por faixas horizontais de 5cm a 8cm de largura, feitas de lona dupla, costuradas ao longo de todo o comprimento da rede.

ANTENAS - As antenas são hastes flexíveis com 1,8m de altura e 1cm de diâmetro. São feitas de fibra de vidro ou material similar. As duas varetas são fixadas na parte exterior de cada banda lateral e paralelamente às mesmas. As antenas são consideradas parte da rede e delimitam lateralmente o espaço de jogo sobre a mesma.

ALTURA DA REDE - A altura da rede para competições oficiais internacionais masculinas é de 2,20m e 2m nas competições femininas. Na variante de 4 por 4 ou 3 por 3, a altura é de 2m.



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Tiago Oliveira

coluna@jornalpress.com.br
Um colunista esportivo difere de um repórter esportivo. O colunista permanece menos focado nas estatísticas e mais focado nas pessoas e suas histórias e, normalmente, sabe muito mais sobre a história e tradição do time.

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