[ ESPORTE ] Por Tiago Oliveira

Gol, o grande momento do futebol

Publicado em 17 de abril de 2015
Gol, o grande momento do futebol

Há algumas semanas atrás, assistindo a uma partida de futebol pela televisão, reparei que existe um momento em que, não só os jogadores como também os torcedores, são capazes de expressas diversos sentimentos (e expressões) que em momentos de menor emoção não são capazes de fazer. Esse momento tão “sem explicação” como muitos dizem atende por uma simples e pequena palavra: O GOL!

Copiando o titulo de um famoso programa esportivo do final dos anos 90, que fazia muito sucesso entre amantes do futebol, pois através dele, poderiam reviver (ou relembrar) um pouco da emoção do momento mais prazeroso do seu time de coração: O Gol!

Decidi então, listar alguns gols históricos e importantes dos últimos anos, gols que marcaram jogadores e torcedores e que mudaram a história de muitos clubes brasileiros. Gols que decidiram campeonatos ou classificação de uma determinada competição.

O Milagre de Petkovic

Impossível não começar com um dos gols mais impressionantes que já vi, por toda a sua dramaticidade e comoção nacional.

Como não lembrar aquela tarde ensolarada de Domingo, tarde que entrou para a história do Flamengo, e também para a história do Maracanã.

Final do Campeonato Carioca de 2001, o Flamengo vencia a equipe do Vasco por 2x1, o que daria o Título para a equipe cruzmaltina, já que a primeira partida a equipe de São Januário venceu por 2x1 (gols de Viola e Juninho Paulista). Um jogo digno de Flamengo e Vasco. Um jogo digno de final de Campeonato Carioca. Diante de mais de 60 mil pessoas no Maracanã, o Flamengo fez o impossível. Não tomou conhecimento do rival e de sua vantagem, e aplicou um 3x1 inesquecível, com dois gols de Edílson, e um de falta do maestro Petkovic, imortalizado na história do Clube.

Aos 43 minutos do segundo tempo, eis que surge uma falta na entrada da área para a equipe do Flamengo cobrar. Era um momento decisivo. Caso o Flamengo fizesse o gol, seria tricampeão. Em uma linda coreografia, a torcida rubro-negra passou energia positiva para o time. O árbitro Léo Feldman apitou, Petkovic partiu para a bola, e como se tivesse colocado com a mão, a bola foi parar no fundo das redes, no ângulo esquerdo do goleiro vascaíno Helton. Sem chances, indefensável, indescritível, emocionante. Uma explosão de alegria em vermelho e preto se deu no Maracanã e em todo Brasil.

Romário, O Gênio da Grande Área

Três gols em nove minutos. Final de primeiro tempo. Desolação carioca. Gritos de “é campeão!” vindos das arquibancadas alviverdes paulistas. A noite do dia 20 de dezembro de 2000 era toda pura e prosa do Palmeiras, que atropelava o Vasco de Romário, Juninho(s), Euller e Hélton com acapachantes 3 a 0 em plena final de Copa Mercosul (espécie de Copa Sul-Americana da época).

Os quase 30 mil torcedores palmeirenses se deliciavam com um segundo tempo inteiro pela frente e a certeza absoluta de ter apenas o trabalho de gritar “olé” a cada troca de passes de seu time e esperar o árbitro apitar o final do jogo para celebrar mais uma conquista daquele Palmeiras que não se cansava de ganhar. Porém, ninguém deu bola para o imponderável, para o Clube de Regatas Vasco da Gama e para um dos maiores centroavantes da história do futebol mundial (ou seria o maior?).

O segundo tempo começou e Romário fez um. Fez dois. Juninho Paulista, endiabrado e responsável direto pelos dois primeiros tentos do baixinho, marcou o gol de empate. Detalhe: o Vasco já tinha um jogador a menos – Júnior Baiano foi expulso. Nos acréscimos, eis que a bola sobra na área, limpinha, pronta para um leve toque do atacante que sempre a tratou tão bem: Romário. Palmeiras 3×4 Vasco. Em apenas um tempo, o Palmeiras havia feito três gols.

Em apenas outro tempo, o Vasco acabava de fazer quatro. E de ganhar uma improvável, incrível e inédita Copa Mercosul. Ninguém acreditava. Ninguém piscava os olhos. Ninguém jamais se esqueceria de tudo aquilo. No Rio de Janeiro, uma apoteose vascaína tomou conta da cidade, bem como do gramado do Palestra Itália, que foi palco de uma das viradas mais eletrizantes e incríveis da história do futebol brasileiro. Nunca mais um time gritou “é campeão!” antes de acabar o primeiro tempo. E nunca mais o vascaíno tirou da memória aquela partida, tida como uma das mais fantásticas já realizadas pelo clube em todos os tempos.

Washington, O Coração Valente

Quartas de Final da Taça Libertadores da América de 2008, Fluminense e São Paulo chegam as quartas de final após terem vencido nas oitavas Atlético Nacional (Colômbia) e Nacional (Uruguai) respectivamente. Na ocasião o tricolor carioca terminou a 1ª fase com o 1º lugar na classificação geral, o que daria a vantagem de jogar a segunda partida em casa até a final, caso chegasse até ela.

Na primeira partida, realizada no Morumbi, a equipe paulista venceu por 1x0, gol de Adriano, e levou uma pequena vantagem para a segunda partida.

Em um Maracanã com quase 70 mil pessoas, o Fluminense foi para cima do São Paulo e logo aos 12 minutos abriu o placar com Washington. De tanto insistir, o São Paulo empatou a partida e silenciou o Maracanã, com Adriano, Aos 24 minutos. Nem deu tempo para a torcida do São Paulo comemorar. No minuto seguinte, após passe de Conca, Dodô invadiu a área e tocou por baixo das pernas de Rogério Ceni, recolocando o Fluminense na frente.

A vantagem no confronto, porém, era do São Paulo, que marcou um gol fora de casa. Diante disso, coube à equipe paulista segurar a pressão do Fluminense até os acréscimos, quando brilhou a estrela de Washington. Aos 46 minutos do segundo tempo, quando o São Paulo tinha um jogador a menos em campo, Thiago Neves cobrou escanteio da direita, Washington subiu mais que a zaga e fechou o placar, levando ao delírio o técnico Renato Gaúcho e os torcedores presentes no Maracanã.

Enfim o Título!

Depois de três anos de espera e decepção, o torcedor alvinegro soltou com toda a força o grito: o Botafogo era o campeão do Campeonato Carioca de 2010. Um título incontestável e, o melhor, em cima do grande rival: o Flamengo. Com uma vitória por 2 a 1, no Maracanã, o Alvinegro conquistou a Taça Rio. E como também já havia ganhado a Taça Guanabara levantou o troféu sem a necessidade de uma final. A última vez que um clube venceu os dois turnos do Estadual foi em 1998, com o Vasco.

A vitória veio com dois gols de pênaltis. E dos dois artilheiros. Herrera e El Loco Abreu, que com uma cavadinha sensacional, não deu chance para o goleiro Bruno, conhecido por ser um grande pegador de penalidades.

Os últimos minutos foram emocionantes, com o goleiro Jefferson defendendo um pênalti cobrado por Adriano, o maior ídolo rubro-negro. Após o apito final, os alvinegros caíram emocionados no gramado, se abraçaram como nunca. O presidente Maurício Assumpção desceu para o campo chorando de emoção. O título vem com gosto de vingança. O Botafogo havia perdido as últimas oito decisões para o Flamengo: a Taça Rio de 1991 e 2009, o Campeonato Brasileiro de 1992, a Taça Guanabara de 1995 e 2008, e o Campeonato Carioca de 2007, 2008 e 2009.

Ronaldinho + Neymar = Show

Difícil achar um adjetivo para qualificar o que Santos e Flamengo fizeram na noite do dia 27 de julho de 2011, na Vila Belmiro, pela 12ª rodada do Brasileirão.

Um show, um concerto, um espetáculo? É pouco. Foi, enfim, um jogo histórico, que será lembrado por muito tempo. No fim, o Flamengo, de Ronaldinho Gaúcho, que saiu perdendo por 3 a 0, acabou levando a melhor sobre o Santos, num 5 a 4 de encher os olhos, para apagar da memória dos torcedores brasileiros o burocrático futebol apresentado pela Seleção Brasileira na Copa América daquele ano.

O craque rubro-negro, enfim, mostrou a que veio quando retornou ao Brasil. Foi genial, como há muito tempo não era, marcando três gols. Neymar também brilhou, com dribles desconcertantes e dois gols, o primeiro antológico. Poderia ficar horas escrevendo algo para explicar essa partida, porém a melhor coisa a se fazer é deliciar-se com lances e gols incríveis de uma épica partida

Final da Copa América 2004

Depois de falsas finais entre si ao longo das décadas, eis que Brasil e Argentina faziam, enfim, uma final legítima. Nunca os dois maiores rivais do futebol sul-americano (e mundial) haviam decidido uma taça de peso em jogo único, pra valer. Porém, naquele dia 25 de julho de 2004, na decisão da Copa América, muitos acreditavam que a final não teria tanto peso assim. Motivo? O Brasil ia a campo com um time B e sem suas habituais estrelas, apenas com Kléberson de remanescente da equipe campeã do mundo dois anos antes. Já a Argentina colocava em campo o que tinha de melhor e não pensava em outro resultado que não fosse a vitória. Era questão de honra e orgulho derrotar o maior rival e pôr fim a seca de títulos que já duravam 11 anos.

Até os 42 minutos do segundo tempo, o filme era mesmo albiceleste: 2 a 1 para a Argentina, domínio total das ações em praticamente toda a partida e pouquíssimos minutos para o apito final do árbitro. Foi então que os Hermanos resolveram tirar um barato da cara dos brasileiros e começaram a gastar o tempo da pior maneira possível: com firulas, passadas de pé por cima da bola, brincadeirinhas à beira do campo e total traquinagem dos malandros Tévez e D´Alessandro. Pobres argentinos. Eles tinham acabado de provocar a ira de seu maior rival. Se sobrasse uma bola boa para o Brasil, seria gol. E ela sobrou.

Aos 48´, num cruzamento despretensioso de Diego, eis que Adriano, na época em seu auge físico e técnico, deu uma levantadinha na bola, ajeitou e chutou. Golaço! Incrível! 2 a 2. E pênaltis. Na marca da cal, claro, o Brasil deu aula e venceu por 4 a 2. Era o título do time B do Brasil sobre o time A da Argentina. Nunca uma vitória foi tão saborosa para os brasileiros, com gostinho do mais puro doce de leite. E nunca uma derrota foi tão azeda para os argentinos, com gostinho de caipirinha sem açúcar. É hora de relembrar.

A Batalha dos Aflitos

26 de novembro de 2005, Estádio dos Aflitos, Náutico e Grêmio fazem a última rodada do Brasileirão da série B, o Grêmio precisava de, no mínimo, um empate para se garantir na Série A do ano seguinte e de uma vitória para ser campeão da Série B. Vale salientar que, em 2005, apenas o campeão e o vice-campeão se classificavam para Série A do ano seguinte. O Náutico precisava vencer a partida para garantir o acesso junto com o Santa Cruz.

O Santa Cruz precisava vencer a Portuguesa no Estádio do Arruda, também no Recife, para se classificar, pois se empatasse poderia perder a vaga para Náutico, se este derrotasse o Grêmio. Por outro lado, se o Santa Cruz vencesse bastava o Náutico empatar, para o tricolor pernambucano ser, pela primeira vez em sua história, campeão nacional. Isso formou uma especulação que poderia haver suborno chamado "mala branca" do Santa Cruz ao Náutico para que este vencesse sua partida.

O Grêmio, com o 0x0, atingiria seu objetivo. Porém, aos 35 minutos da etapa complementar, o juiz Djalma Beltrami anotou pênalti para os pernambucanos, acusando o defensor gremista de ter tocado com a mão na bola. Esta marcação, injusta na visão dos jogadores do Grêmio, desencadeou uma revolta generalizada do lado azul, que por empurrar, chutar e hostilizar o árbitro, teve 4 jogadores expulsos. A partida ficou parada por mais de 20 minutos e os dirigentes do time tricolor ameaçaram tirar o time de campo em diversas oportunidades.

Na visão deles, essa poderia ser a única chance de, nos tribunais, tentar reverter um quadro que, no campo, parecia irreversível: se sofresse o gol de pênalti precisaria, com 4 jogadores a menos, fazer 1 gol para empatar o jogo e, assim, subir para a elite do futebol brasileiro. Depois de muitas dúvidas, reclamações e até invasão de campo por parte de torcedores, os ânimos arrefeceram e o jogador Ademar, zagueiro do Náutico, foi escolhido para bater esta penalidade que poderia decretar o fim da agremiação gaúcha. Porém, o que parecia impossível aconteceu: Galatto, goleiro do Grêmio, defendeu o pênalti e, como se não bastasse, exatos 71 segundos depois, o jogador tricolor Anderson disparou para o campo de ataque e, sozinho, entrou a dribles na zaga pernambucana para anotar o único gol da partida aos, acreditem, 61 minutos do segundo tempo. Grêmio 1 x 0 Náutico.

Atônitos, os jogadores e torcedores do Náutico ficaram sem reação com o que estava acontecendo, enquanto os jogadores e comissão técnica gremista corriam para todos os lados chorando e comemorando algo que, minutos antes, "só aconteceria por um milagre". O tricolor gaúcho, então, estava de volta à elite do futebol brasileiro.



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Tiago Oliveira

coluna@jornalpress.com.br
Um colunista esportivo difere de um repórter esportivo. O colunista permanece menos focado nas estatísticas e mais focado nas pessoas e suas histórias e, normalmente, sabe muito mais sobre a história e tradição do time.

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