[ ESPORTE ] Por Tiago Oliveira

Amor a camisa

Publicado em 27 de fevereiro de 2015
Leo Moura

Hoje o meu assunto é sobre amor ao Clube. Não sei se seria Amor ao Clube de Coração ou ao Clube de Profissão!

Temos visto pelo Brasil há alguns anos como é difícil um jogador completar 100 jogos (Consecutivos) pelo clube. Na década de 90 isso era mais comum em clubes Brasileiros. Jogar e ficar marcado na história era desejo de muitos. Jogar e ter seu nome gritado pela torcida era sonho de qualquer jogador, conquistar títulos e chegar a Seleção Brasileira mais ainda!

Nos dias atuais, podemos perceber que além dos jogos (não) completados a maioria dos “Atletas” (assim gostam de ser chamados) possuem uma semelhança em suas carreiras: pouca idade e muitos clubes no currículo. A maioria deles com idade média de 24 anos com passagens por 5 clubes, uma vez que seus agentes preferem que eles recomecem em um novo clube a cada 6 ou 8 meses, sempre perdendo a sequência de um trabalho já realizado. Assim perdemos muitas joias das divisões de base de grandes clubes formadores de atletas (Internacional, Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, entre outros).

Leo Moura Alheio a todas essas estatísticas está Leonardo da Silva Moura, 36 anos, nascido em Niterói, mais conhecido como Léo Moura, 7º jogador que mais vestiu a camisa do Flamengo, com 518 jogos, um a mais do que Carlinhos, o Violino, com 517 jogos.

Léo Moura chegou ao Flamengo em 2005 com a fama de jogador cigano, e de certa forma desacreditado, tamanha a rotatividade nos clubes pelos quais passou anteriormente. Entretanto, em pouco tempo, ficou marcado em virtude das diversas boas atuações e de seus avanços pelos “flancos do campo” (como diriam os mais antigos). Dono de passes certeiros e cruzamento que pareciam ser jogados com as mãos, Léo Moura chegou ao seu centésimo jogo no ano seguinte com a camisa do Clube, o que fez com que caísse nas graças da torcida e se apaixonasse (mais ainda) pelo Flamengo. Nunca escondeu seu amor pelo clube, nem mesmo nos momentos mais difíceis da carreira. Rejeitou propostas para realizar um sonho de infância: seu primeiro título com a camisa do Flamengo na Copa do Brasil de 2006.

Aquele seria apenas o primeiro título do jogador, que assumiu de vez a posição que houvera de ser do grande lateral Leandro um dia.

Ícone do quinto tricampeonato carioca do Flamengo, 2007-2008-2009, Léo foi figura marcante no título carioca de 2009, quando aos prantos declarou para uma emissora de Tv, não saber mensurar a importância de escrever seu nome na história rubro-negra.

Ainda em 2009, ganhou o que seria talvez o seu Título mais importante com a camisa do clube, o Brasileirão daquele ano. Importante também para o flamengo, já que o clube não faturava o mesmo há 17 anos. Apesar das mais diversas propostas recebidas para deixar o Flamengo, Léo Moura preferiu ficar no clube para a disputa da temporada 2010. Foi aliás, em 2010, que o lateral ganhou a braçadeira de capitão do Flamengo e completou a marca de 300 jogos vestindo o Manto Sagrado naquele ano.

Com 11 títulos (somente em 2010 ele não foi campeão), Léo Moura chega a expressiva marca de 10 anos como jogador do Flamengo, em meio a um surpreendente convite para jogar no Fort Lauderdale Strikers, time administrado por Ronaldo Fenômeno na Flórida nos EUA (o que será muito provável que aceite, tendo em vista que seu contrato com o flamengo vai até junho de 2015 e lhe foi oferecido um contrato de 3 anos, que para um jogador de 36 anos não é recusável).

Para os torcedores que o acompanharam em toda a sua trajetória ao longo desses 10 anos de Flamengo, Léo moura é sim um ídolo, não só pelos títulos conquistados mas também por honrar o manto sagrado durante todo esse tempo, o que não vejo que vá acontecer nos próximos 10 anos (de acordo com o andamento do futebol Brasileiro).

Leo Moura

Ao Léo Moura o meu muito obrigado, por tudo o que fez pelo Flamengo e ao Futebol Brasileiro e que você possa sim, ser tão vitorioso nos EUA quanto foi no Clube de Regatas do Flamengo.



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Tiago Oliveira

coluna@jornalpress.com.br
Um colunista esportivo difere de um repórter esportivo. O colunista permanece menos focado nas estatísticas e mais focado nas pessoas e suas histórias e, normalmente, sabe muito mais sobre a história e tradição do time.

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