[ EDUCAÇÃO ] Por Cezar Augusto Santa Ana

A educação dos “rankings”

Publicado em 11 de agosto
A educação dos  “rankings” Foto: Divulgação

Sempre que o MEC/INEP divulga os resultados de uma avaliação sistêmica na educação brasileira como a Prova Brasil ou o ENEM, há um alvoroço que, colocando tudo no mesmo balaio, transforma, num piscar de olhos, escolas em heroínas ou vilãs.

Muita calma nesta hora! Por mais que a televisão e a mídia em geral façam a espetacularização dos resultados, há muitas informações específicas que não podem avaliar e colocar todas as instituições em uma mesma escala. Isso não é claro, não é honesto.

Quando se coloca tudo no mesmo patamar, como se todas as escolas tivessem o mesmo ponto de partida, compara-se realidades sociais muito distintas em diversos aspectos como aportes estruturais e condições de trabalho, por exemplo.

Contudo, a mídia valida o ranking porque lhe é interessante estabelecer a competição. Além disso, os números sempre impressionam e ajudam no volátil discurso de interesses no jogo político e no mercado milionário da propaganda.

Mas, então, os números dessas avaliações não servem para nada? Não é isso! Pelo contrário. Servem muito quando existem análises cuidadosas, feitas sobre cada realidade. É importante, por exemplo, comparar determinada realidade em momentos diferentes através de uma avaliação sistêmica. Quando bem analisados, os números podem revelar detalhes importantes para a tomada de decisões e melhoria da qualidade de ensino.

Em 2011, o município de Rio das Ostras foi premiado nacionalmente pela criação, em 2007, do SAERO, um sistema próprio de avaliação educacional que serviu de referência para muitas cidades brasileiras. Na ocasião, colocamos aos dirigentes do MEC/INEP que as avaliações em larga escala são importantes, mas que os rankings não são saudáveis à boa educação porque classificam, em enganosa igualdade, realidades muito diferentes. Pior, no Ensino Público, o foco dos problemas quase sempre sai dos governantes e recai em diretores e, principalmente, nos professores que muitas vezes são impossibilitados de realizar bons trabalhos em escolas superlotadas, sem autonomia e sem recursos materiais.

De certa maneira, isso explica o insucesso de programas como o Nova Escola da Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro, e de outras experiências pautadas em meritocracias oriundas de análises inconsistentes que não levam em conta os diferentes fatores de cada realidade educacional.

O objetivo desses exames deve ser o de propiciar informações consistentes, mas nunca o de transformar educação escolar em leilão.

Até a próxima.



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Cezar Augusto Santa Ana

Cezar Augusto
Santa Ana

coluna@jornalpress.com.br
Cezar Augusto Santa Ana é Diretor Pedagógico do Colégio Mosaico, em Rio das Ostras. Graduado em Letras pela Uerj, Especialista e Mestre pela UFRJ, atua nessa mesma Universidade, no Campus de Macaé. Professor licenciado do município de Rio das Ostras, Leciona há mais de vinte anos na Região dos Lagos, sendo conhecido pelo trabalho docente transpassado por várias gerações. Possui publicações em diversos gêneros que transitam da escrita acadêmica à poesia. Em sua mais recente pesquisa pela Capes, investigou a topoafetividade dos pescadores da Boca da Barra, em Rio das Ostras.

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