[ EDUCAÇÃO ] Por Cezar Augusto Santa Ana

Discutir educação: por onde isso começa?

Publicado em 26 de maio
Discutir educação: por onde isso começa? Foto: Divulgação

Discutir educação: por onde isso começa? Foto: Divulgação Vivemos uma triste onda de sucateamento da educação pública no Brasil. Desde a Educação Básica até o Ensino Superior assistimos, perplexos, instituições públicas sofrendo com sérios problemas estruturais, oriundos de um descaso bárbaro e inconsequente por parte de quem comanda esses sistemas.

É claro que há muito de humanidade no ato de ensinar e o aporte físico, em si, não garante a qualidade do processo pedagógico. Mas é indispensável decência aos gestores para que entendam que sem condições adequadas não é possível almejar uma educação escolar de qualidade.

Escolas sem papel são escolas de um vidro muito frágil. Sem os recursos adequados para o desenvolvimento de práticas mais condizentes a uma nova forma de pensamento, não se pode acreditar em ensino e desenvolvimento social satisfatórios.

A triste constatação é que muitas vezes o dinheiro e o material não faltam em situações nada urgentes como a propaganda política, viagens muitas vezes inúteis que são pagas com dinheiro público e festas absolutamente sem propósito que sacramentam o ilusório “Pão e circo”.

Mas o que fazer, então, os profissionais de educação e a sociedade como um todo? Simples: Cobrar que o dinheiro pago com o suor do povo seja decentemente aplicado. Cobrar explicações todas as vezes que o ambiente de ensino for falho em seus múltiplos aspectos como material pedagógico e recursos em geral, ênfase na qualidade, salários dignos, limpeza, diálogo e transparência, por exemplo.

É óbvio que não será quebrando reitorias ou promovendo atos de violência que a sociedade resolverá o problema da falta de vergonha e do descaso com os sistemas públicos em geral. Ao contrário, os péssimos gestores não terão argumentos se forem chamados ao debate porque a mentira só engana a mente inábil de seus bajuladores.

Além disso, é preciso exigir ações concretas que são muito mais do que fundamentar péssimas administrações em crises amplificadas e bem mais do que justificar escolas caquéticas na conta de Deus, numa absurda reinvenção do ultrapassado pensamento medieval em que o “a-luno” (sem luz) era compreendido como uma verdadeira tábula rasa.

Até a próxima!



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Cezar Augusto Santa Ana

Cezar Augusto
Santa Ana

coluna@jornalpress.com.br
Cezar Augusto Santa Ana é Diretor Pedagógico do Colégio Mosaico, em Rio das Ostras. Graduado em Letras pela Uerj, Especialista e Mestre pela UFRJ, atua nessa mesma Universidade, no Campus de Macaé. Professor licenciado do município de Rio das Ostras, Leciona há mais de vinte anos na Região dos Lagos, sendo conhecido pelo trabalho docente transpassado por várias gerações. Possui publicações em diversos gêneros que transitam da escrita acadêmica à poesia. Em sua mais recente pesquisa pela Capes, investigou a topoafetividade dos pescadores da Boca da Barra, em Rio das Ostras.

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