[ EDUCAÇÃO ] Por Cezar Augusto Santa Ana

Para além das simbologias...

Publicado em 07 de maio

Para além das simbologias... Louvável a indignação nacional, a partir dos atos covardes contra os manifestantes – a maioria professores – em Curitiba, naquele fatídico dia.

Vestimos preto para exaltar o repúdio às atrocidades e o desrespeito que paira, infelizmente, sobre grande parte do cenário educacional brasileiro. Uma simbologia válida que expressa o olhar cansado sob o desdém das tiranias.

Mas, não basta! Para além dos sinais é preciso que existam ações. O sentimento coletivo deve estar representado na prática cotidiana de cada um, pois é através dela que se constrói uma consciência maior.

Nos constituímos como importantes atores quando dizemos “não” às pequenas corrupções diárias que tentam nos curvar e que, quando conseguem, desestabilizam um projeto maior de categoria e de sociedade. Nos constituímos quando não nos curvamos à luz de perseguições feitas a nós ou aos nossos pares e dizemos “não” à força do poder covarde.

Vejam a atitude do desconhecido jogador (Rafael Bastos) que, a despeito da proibição da FIFA de se fazer manifestações de cunho político, ergueu, no único momento de luzes em sua vida, (Seu time foi campeão do interior do Paraná diante de 2 mil torcedores) um cartaz mostrando sua indignação pelas truculências cometidas contra os trabalhadores por lá.

Se o poder é atroz e circulante, precisamos, então, fazer circular nossa rejeição a ele, criarmos uma rede de resistência que diga “não” em muitas vozes começadas nas periferias. Se pensarmos na tirania como um objeto estático em um ponto central, perderemos de vista o feixe de relações onde muitas tiranias se desdobram para suprimir as formas de coletividade. Foucault, claro, vai explicar isso melhor. Mas já que falamos em simbologia, creio que João Cabral de Melo Neto, no seu participante poema “Tecendo a Manhã”, explicará com mais elegância ainda.

Mais do que nos solidarizarmos com os companheiros do Paraná, é preciso que façamos um verdadeiro exercício de alteridade que deve começar por nós, frente a toda e qualquer injustiça cotidiana que possa subverter nosso papel transformador.

O que não podemos mais é viver à sombra de um gigante que acorda e volta a dormir porque, definitivamente, “a revolução não será televisionada, companheiros.”

Até a próxima.



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Cezar Augusto Santa Ana

Cezar Augusto
Santa Ana

coluna@jornalpress.com.br
Cezar Augusto Santa Ana é Diretor Pedagógico do Colégio Mosaico, em Rio das Ostras. Graduado em Letras pela Uerj, Especialista e Mestre pela UFRJ, atua nessa mesma Universidade, no Campus de Macaé. Professor licenciado do município de Rio das Ostras, Leciona há mais de vinte anos na Região dos Lagos, sendo conhecido pelo trabalho docente transpassado por várias gerações. Possui publicações em diversos gêneros que transitam da escrita acadêmica à poesia. Em sua mais recente pesquisa pela Capes, investigou a topoafetividade dos pescadores da Boca da Barra, em Rio das Ostras.

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