[ EDUCAÇÃO ] Por Cezar Augusto Santa Ana

A contradição inaceitável

Publicado em 30 de abril
A contradição inaceitável

A contradição inaceitável A contradição inaceitável Quando professores e gestores públicos entram em conflito, propiciando cenas absolutamente lastimáveis como as ocorridas no Paraná, é porque emerge à cena um elemento inaceitável no jogo social: a contradição de interesses.

É excessivamente lógico que o objetivo, não somente destes atores, mas de todos, deve ser o bem comum, traduzido por uma sociedade justa e harmônica. O que for contrário a isso, denota uma incoerência que fere todos os princípios da coletividade.

Pior ainda se esse “dialogo às avessas” for mediado pela força de outra instituição que tem, em tese, o dever de dar estabilidade ao exercício da sociedade igualitária. A ação grosseira da polícia lançando bombas em professores é a metáfora mais indecente no retrato de uma sociedade doente.

É o “novo-velho” medo de que vejamos novamente soldados armados e perdidos de armas na mão. Que lição é essa em que o bem comum mingua ante à transcrição funesta da força que manda e que quando não quer ouvir tapa os ouvidos com balas? (De borracha ou não, pouco importa, pois dói mais na alma do que na ferida).

Mas, ainda que pareça estranho, na doença da intransigência da força, a manipulação corrói oprimidos para espalhar sua sede exagerada de poder. Alguns discursos recentes têm amplificado a ideia de que a intolerância é a receita certa para o corpo extraviado. Mentira! Já falamos de flores noutros tempos e vimos como as perdemos no caminho com Maiakóvski, tal como ensina o belíssimo poema de Eduardo Costa.

O que aconteceu em Curitiba e, pasmem, num lugar chamado Centro Cívico, foi um sério sinal da bifurcação em que estamos. Ou repudiamos a contradição inaceitável na qual os caminhos são decididos sem que o diálogo seja honesto e aberto, ou assinamos a volta de modelos que deixaram nossas flores no chão.

Bombas não! Nunca! Porque por mais que amedrontem, jamais terminarão com a Primavera. E mais ainda: porque são a mais autêntica versão da covardia.

Por fim, encerro lamentando mais uma vez a ignorância da força bruta e dedico singelamente a primeira estrofe do meu poema “A flor e o canhão” às tantas vítimas dos atos covardes ocorridos em Curitiba e em qualquer lugar do planeta. Até a próxima!

“A força
É a única forma de sustento
dos covardes
porque nela
não cabe a exigência de espelhos,
nem o juramento tranquilo dos justos.”


Cezar Santa Ana


Comentários

Cezar Augusto Santa Ana

Cezar Augusto
Santa Ana

coluna@jornalpress.com.br
Cezar Augusto Santa Ana é Diretor Pedagógico do Colégio Mosaico, em Rio das Ostras. Graduado em Letras pela Uerj, Especialista e Mestre pela UFRJ, atua nessa mesma Universidade, no Campus de Macaé. Professor licenciado do município de Rio das Ostras, Leciona há mais de vinte anos na Região dos Lagos, sendo conhecido pelo trabalho docente transpassado por várias gerações. Possui publicações em diversos gêneros que transitam da escrita acadêmica à poesia. Em sua mais recente pesquisa pela Capes, investigou a topoafetividade dos pescadores da Boca da Barra, em Rio das Ostras.

Compartilhe...

Colégio Mosaico