[ EDUCAÇÃO ] Por Cezar Augusto Santa Ana

A escola como um espaço de escuta

Publicado em 23 de abril
A escola como um espaço de escuta

O amigo Pablo Henrique, colaborador deste texto e gestor de pessoas do Colégio Mosaico de Rio das Ostras , faz uma analogia bem interessante ao afirmar que os adolescentes são verdadeiras “bombas hormonais”. Não bastasse o aspecto físico, o mundo contemporâneo proporciona aos jovens uma vastidão de coisas bastante atraentes e dinâmicas. A tecnologia, por exemplo, oferece uma série de minimundos interessantíssimos.

Diferente de outras gerações, os adolescentes de hoje são menos conceituais e mais executores. Isso quer dizer que ao invés de ensinar do conceito para a prática, a escola de hoje deve viabilizar a concomitância entre a teoria e a realização concreta. Isso corresponde ao que chamamos de “aprender fazendo”, através da mediação pedagógica.

Além do mais, fazer e executar coloca os adolescentes atuais em uma condição mais real de proatividade, o que não quer dizer que o desenvolvimento da escuta não seja um desafio cada vez mais necessário nos programas escolares.

Nesse cenário em que os adolescentes precisam ser protagonistas, turmas sobrecarregadas e ambientes escolares com desproporcionalidade entre o número de estudantes e “espaços de escuta” tendem a criar o que denominamos de “espaços de crise”. Mas veja bem, não falamos especificamente de espaços físicos. “Espaços de escuta” correspondem à capacidade das instituições de garantirem a expressividade de seus estudantes e demais membros.

Salas de aula cheias não são espaços de escuta, pois não possibilitam uma interação efetiva entre professores e estudantes e entre os próprios estudantes. Grandes quantidades de estudantes em classe colocam os professores na condição de “controladores de corpos”, numa verdadeira violência simbólica contra suas expectativas, projetos e desejos de aprendizagem de excelência.

Alguns colégios, atentos à nova realidade comportamental dos adolescentes de hoje, adotam o princípio pedagógico das chamadas “turmas reduzidas”, mas isso ainda está longe da realidade da grande maioria das escolas brasileiras.

A distorção entre a necessidade de expressão e a impossibilidade de serem ouvidos faz com que os adolescentes potencializem atitudes de agressão física e verbal. Contrário a isso, garantindo aos estudantes a possibilidade do efetivo diálogo e aos professores um ambiente escolar onde possam cumprir dignamente a essência da profissão, os colégios produzirão consciência social ao invés de doenças. Mas isso é uma questão de planejamento e gestão...

Mais uma vez agradeço a contribuição do amigo Pablo Henrique e da Equipe do Colégio Mosaico , um verdadeiro espaço de construção da educação dos novos tempos.

Até a próxima!



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Cezar Augusto Santa Ana

Cezar Augusto
Santa Ana

coluna@jornalpress.com.br
Cezar Augusto Santa Ana é Diretor Pedagógico do Colégio Mosaico, em Rio das Ostras. Graduado em Letras pela Uerj, Especialista e Mestre pela UFRJ, atua nessa mesma Universidade, no Campus de Macaé. Professor licenciado do município de Rio das Ostras, Leciona há mais de vinte anos na Região dos Lagos, sendo conhecido pelo trabalho docente transpassado por várias gerações. Possui publicações em diversos gêneros que transitam da escrita acadêmica à poesia. Em sua mais recente pesquisa pela Capes, investigou a topoafetividade dos pescadores da Boca da Barra, em Rio das Ostras.

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