[ EDUCAÇÃO ] Por Cezar Augusto Santa Ana

Por uma educação da Leitura do mundo

Publicado em 27 de fevereiro de 2015
Por uma educação da Leitura do mundo

É evidente que há uma profunda crise na grande maioria dos sistemas educacionais. É cada vez maior a distância na interface entre escolas e sociedades. Na maioria das vezes, as escolas de hoje seguem um modelo sacralizado nos tempos em que a educação escolar, em termos de acesso, era voltada a uma pequena parcela da sociedade. Isso não quer dizer, entretanto, que tenhamos hoje um modelo democrático de escolarização. Longe disso: popularizar não é democratizar, ou seja, colocar as pessoas na escola não significa torná-la igualitária.

E é exatamente essa leitura que deve ser o ponto de partida para a construção de sistemas menos intoleráveis e mais significativos. É importante a compreensão do que se passa no seio das escolas e no conjunto de experiências e expectativas trazidas pelos seus sujeitos. No caso dos sujeitos estudantes, é preciso compreender seus universos culturais e revolucionar a ideia que eles têm sobre o papel dessa instituição em suas vidas. Na sociedade, a escola deve ser entendida como um direito que vai além da preparação mercadológica e do provimento de programas assistenciais. Nos sujeitos professores, é fundamental o estabelecimento de um diálogo em que a opinião daqueles que vivem o cotidiano das salas de aula seja levada em conta para dar início à transformação.

Sem a motivação e o respeito aos anseios dos professores, nenhum sistema será transformador e efetivo. E, historicamente, o grande anseio dos professores é o crescimento pleno dos estudantes. Quase sempre, seus desejos pessoais são renegados a segundo plano porque os professores estão imbuídos no melhor futuro possível aos seus educandos e à sociedade como um todo.

Apesar disso, é bom que se lembre: são seres humanos com suas paixões e limites! Professores não são máquinas à prova de qualquer intempérie. Turmas cheias, falta de condições de trabalho e falta de política pública para realizar com aporte bons cursos de formação continuada, são sintomas de um sistema que não é equânime. Em recente entrevista a um programa de televisão sobre leitura na escola, afirmei que “virou um chavão dizer que os professores precisam melhorar e se aperfeiçoar, porque na hora em que eles vão cursar um mestrado, um doutorado, por exemplo, esbarram na total falta de apoio dentro do próprio sistema em que trabalham”.

Além disso, o uso de programas de avaliação como forma de pressão por resultados é um erro de gestão que não cabe no contexto educacional contemporâneo. Esses instrumentos só têm utilidade se servirem como identificadores de necessidades conjunturais.

Em referência ao título desta coluna, lembro Paulo Freire, ao falar da importância da leitura do mundo como política educacional e da não-separação entre o cognitivo, o afetivo, o artístico e o cultural. O grande educador fez, como sempre, uma defesa apaixonada da democracia como o único caminho capaz de significativas transformações. Afinal, não pode ensinar quem não sabe aprender, de repente.

É com muito orgulho que volto a escrever uma coluna, depois de vários anos assinando a coluna “Outras Palavras”, no Jornal do Servidor, em Rio das Ostras, que escrevi até o final de 2012.

Agradeço aos responsáveis pelo convite e aos leitores-amigos pela atenção. Nossa proposta é trazer à reflexão aspectos importantes ligados à educação. Até a próxima!



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Cezar Augusto Santa Ana

Cezar Augusto
Santa Ana

coluna@jornalpress.com.br
Cezar Augusto Santa Ana é Diretor Pedagógico do Colégio Mosaico, em Rio das Ostras. Graduado em Letras pela Uerj, Especialista e Mestre pela UFRJ, atua nessa mesma Universidade, no Campus de Macaé. Professor licenciado do município de Rio das Ostras, Leciona há mais de vinte anos na Região dos Lagos, sendo conhecido pelo trabalho docente transpassado por várias gerações. Possui publicações em diversos gêneros que transitam da escrita acadêmica à poesia. Em sua mais recente pesquisa pela Capes, investigou a topoafetividade dos pescadores da Boca da Barra, em Rio das Ostras.

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