[ EDUCAÇÃO ] Por Cezar Augusto Santa Ana

Educação e pertencimento

Publicado em 17 de março
Educação e pertencimento

Tenho insistido há alguns anos sobre a importância das escolas abordarem mais profundamente a questão da identidade cultural. Em especial, por sua recente e singular constituição, Rio das Ostras é uma cidade em busca de seus traços identitários e de um novo perfil surgido das fricções entre pessoas de diferentes origens que passaram a morar na cidade, constituindo assim uma “colcha de retalhos” de impressionante crescimento.

Entre outros estudiosos, Milton Santos e Yi Fu Tuan estabelecem uma clássica diferença entre espaço e lugar. Para eles, quando um espaço, antes indiferenciado, é dotado de significados, passa a ser um lugar, estabelecendo-se uma relação sentimental.

Por ser um valor simbólico, muitas vezes, o sentimento de pertença passa longe do foco de instituições sociais que com isso não percebem o surgimento de problemas como a depredação de monumentos públicos e o desinteresse pela formação histórica.

Por esse motivo, promover nas escolas um debate crítico acerca do papel individual e coletivo na constituição dos lugares é fundamental para trazer à tona um sentimento capaz de cuidar e agir em função de lugares positivamente afetados.

Mas é bom que se diga: cantar hinos e desfilar em datas comemorativas não garante o exercício pleno da reflexão sobre o lugar onde vivemos. Nada será efetivo se não for oportunizado aos estudantes e à sociedade como um todo, o direito supremo de opinar e a fineza da escuta.

Muitas vezes o pragmatismo vicioso inviabiliza nas escolas um debate mais embasado sobre aspectos simbólicos. A respeito disso, por todos os ingredientes do contexto de Rio das Ostras, o momento é mais do que oportuno para que estudantes, professores e gestores coloquem em tela a importância de transformar o que ainda é para muitos um espaço indiferenciado, em um lugar de pertencimento. Até a próxima.



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Cezar Augusto Santa Ana

Cezar Augusto
Santa Ana

coluna@jornalpress.com.br
Cezar Augusto Santa Ana é Diretor Pedagógico do Colégio Mosaico, em Rio das Ostras. Graduado em Letras pela Uerj, Especialista e Mestre pela UFRJ, atua nessa mesma Universidade, no Campus de Macaé. Professor licenciado do município de Rio das Ostras, Leciona há mais de vinte anos na Região dos Lagos, sendo conhecido pelo trabalho docente transpassado por várias gerações. Possui publicações em diversos gêneros que transitam da escrita acadêmica à poesia. Em sua mais recente pesquisa pela Capes, investigou a topoafetividade dos pescadores da Boca da Barra, em Rio das Ostras.

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