Blog da Brigitte

Tchê Tchererê Tchê Tchê

Publicado em 12 de fevereiro de 2016
Crise e TPM Foto: Divulgação Tchê Tchererê Tchê Tchê Foto: Divulgação

A cada dia que passa fico mais decepcionada com a qualidade musical apresentada hoje em dia, principalmente os novos sertanejos universitários. É bom ressaltar que aqui não vai nenhum tipo de preconceito. É preferência mesmo... gosto... opinião, pura e simplesmente.

Hoje em dia qualquer um faz uma rima, cria um refrão chiclete totalmente sem nexo, mas engraçadinho, ajeita um arranjo pré-produzido de computador e pronto... três meses depois já conquista disco de ouro, está nas paradas de sucesso e acaba ficando nos “top trendics” do Tweeter, Face e outras mídias sociais.

Onde será que foi para a melodia? o que fizeram com a métrica? Cadê a poesia e o romance?

Será que daqui a 30 anos alguém vai lembrar que ficou doce que nem caramelo e que tirou onda com algum Camaro Amarelo? Que dançou e pulou porque rolou o tchê tchererê tchê tchê?

Se hoje em dia “as mina pira” por causa de artistas desse nível, o que será que elas fariam ao ouvir que “a vida vem em ondas, como o mar” ou que você exageradamente “nunca mais respiraria se não fosse notada e que, por isso, poderia até morrer de fome se não fosse amada”? Citei apenas dois exemplos, com Lulu e Cazuza, para não falar do romantismo e da poesia do Rei Roberto Carlos, com suas emoções e detalhes tão pequenos de nós dois.

É fato que esses meninos não devem ter a menor preocupação com tudo isso. Faturando do jeito que estão, é bem provável, inclusive, que eles estejam se lixando para tudo isso. Só me relembrar músicas de qualidade, com letras que contavam uma história de amor, de aventura ou de uma simples dor de cotovelo pela perda do seu amor.

Para constar um pouco a minha indignação e não fugir da realidade da modernidade, estou pensando em fazer um single, lançar um viral na internet, bombar com pouca roupa no meu corpo escultural e escrever uma música para fazer sucesso. Nada de Sullivan e Massadas ou Roberto e Erasmo ou até mesmo Chico Buarque e Francis Hime... vou pedir ajuda ao Washington Leonardo, um guardador de carros que é muito meu amigo para bolar uma letra de sucesso, tipo:
“Ulálálá...Ulululu...eu sou sua cachorra deixa eu ver o seu... celular ”. Misturo umas palavras em inglês, como i love you, uns gemidos uhhhhhhhhhh, yeahhh e ahhhhhhhhhhh... mudo meu vestuário para uma microssaia, um top e o sucesso está garantido!

Se bobear, poderei até largar o jornalismo...



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Brigitte Belmont

brigitte@jornalpress.com.br
Brigitte Belmont é jornalista, publicitária, relações pública, fotógrafa, colunista, redatora, revisora, radialista, apresentadora, produtora, modelo, atriz, diretora, escritora, web designer, pintora, artesã, atleta, maravilhosa, esplendorosa, magnífica, inteligente, poderosa, modesta e mulher presente nas mais variadas e distintas situações para mostrar que a cidade não para e está sempre em movimento.

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