Blog da Brigitte

A escolha do samba

Publicado em 07 de janeiro de 2016
Crise e TPM Foto: Divulgação A escolha do samba Foto: Divulgação

Estava na frente do computador, pensando qual seria o assunto da minha próxima crônica, quando o telefone tocou. Era minha estagiária Walkiria que, na terça-feira, já me perguntava qual seria “a boa” do final de semana. Achei graça do arroubo juvenil da menina que é ávida por baladas, raves, roda de samba, baile funk e todos os eventos onde há aglomeração de pessoas (bonita ou feia, sarada ou não e com dinheiro ou dura. O importante, para ela, é ir a um local onde esteja bombando de gente). Falei que não havia pensado nisso porque, como era terça-feira, ainda estava me refazendo do final de semana. A partir daí, ela me disse que no final de semana iria para um ensaio na quadra de uma Escola de Samba carioca (não vou citar o nome porque não gosto de comentar os locais que frequento).

Confesso que ao me lembrar do rufar da bateria, do som da cuíca, do surdo e do repique, me animei de imediato. Convite feito...convite aceito (adoro interagir com minhas estagiárias e coleguinhas de trabalho!).

É óbvio que, por instantes, meu pensamento se desvirtuou completamente do trabalho e se voltou para o samba. Fiz o meu trabalho, os dias foram se passando até que chegou o sábado. Formamos um grupo de amigas e fomos para o Rio para mostrar o samba no pé como uma autêntica passista na passarela do samba.

Preciso confessar que este ritmo me encanta, principalmente pela mistura de povos, crenças e formação social. No samba, ninguém é melhor do que o outro e todos são iguais. O rebolado da cabrocha, o miudinho do passista e a afinação da bateria simplesmente emocionam a todos que se identificam com esse ritmo.

Quando cheguei na quadra, mestre sala e porta bandeira fizeram uma reverência a mim com o pavilhão da escola. Com todo respeito, beijei a bandeira, cumprimentei a todos e fui para o samba.

A noite também prometia surpresas porque, boatos davam conta que a Rainha de Bateria estava presente, mas esta tensa com a minha presença. Centenas de meninas requebravam na quadra e sambavam como se não houvesse amanhã. A minha performance estava no auge quando, de repente, um rapaz veio até minha direção para dizer que o presidente da agremiação gostaria muito de falar comigo. Ao chegar para conversa, fui surpreendida com um convite que me deixou nas nuvens... ser a Rainha de Bateria no carnaval.

O presidente disse que o meu requebrado, a minha malemolência e o meu gingado eram de outro mundo. Que ele nunca tinha visto uma mulher como eu. Fiquei lisonjeada, agradecida, disse que esse é o sonho de qualquer mulher que gosta de samba, mas que, infelizmente, não poderia aceitar. Primeiro para não causar ciumeira nas outras escolas, segundo, porque não queria deixar as atrizes globais, modelos e ex-BBBs com inveja e, em terceiro, por respeito à todas as meninas da comunidade que também eram verdadeiras bailarinas do asfalto.

O dia estava amanhecendo quando eu e as meninas começamos os preparativos para voltar pra casa. Walkiria e Maria não acreditaram na minha recusa, mas entenderam os meus argumentos. Uma verdadeira rainha respeita os seus súditos e não precisa de tanta exposição para resplandecer o seu glamour... O importante é sambar...



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Brigitte Belmont

brigitte@jornalpress.com.br
Brigitte Belmont é jornalista, publicitária, relações pública, fotógrafa, colunista, redatora, revisora, radialista, apresentadora, produtora, modelo, atriz, diretora, escritora, web designer, pintora, artesã, atleta, maravilhosa, esplendorosa, magnífica, inteligente, poderosa, modesta e mulher presente nas mais variadas e distintas situações para mostrar que a cidade não para e está sempre em movimento.

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