Blog da Brigitte

FILA

Publicado em 17 de novembro de 2017
FILA Foto: Jorge Ronald FILA Foto: Jorge Ronald

Que a grande maioria dos brasileiros gosta de fila, não tenho dúvidas. Se associarmos então a fila a alguma promoção ou último dia de inscrição para qualquer coisa, aí é que ela forma quilômetros de distância. Fila de banco, fila para comprar ingresso, fila no supermercado, fila na loteria para jogar na megasena, fila no restaurante, fila no posto de saúde, fila na escola para ir para sala de aula, fila no posto de combustível, fila no teatro, fila no cinema, fila no aparelho da academia, fila para tirar passaporte, enfim... fila para quase tudo.

No entanto, já presenciei várias cenas hilárias enquanto esperava minha vez chegar. Conversas engraçadas, notícias tristes, casos de traição de casal, receitas de bolo, discussão política, previsão do tempo, brigas, reconciliações, desculpas para o chefe, pregação, preconceitos, piadas, poesias e juras de amor. Já vi senhoras reclamando do governo (municipal, estadual e federal) por conta de seus benefícios. Aposentados que levam horas na fila porque não lembram a senha e muitas outras coisas

Outro dia desses estava na fila do semana e cinema e ouvi uma discussão de casal que acabou com spoiller, pipoca voando pelos ares e, praticamente término de relacionamento. A história começou quando ela, entre uma pipoca e outra, comentou com o namorado sobre a estreia. Ela comentava que estava com uma expectativa muito grande e coisa e tal, quando ele disse que o final do filme não tinha agradado tanto. Um fato deve ser ressaltado é que, enquanto eles estavam na fila, um dos funcionários cumprimentou o rapaz e fez um comentário suspeito sobre a presença dele no cinema com um: “de novo?”. Até então, havia passado despercebido pela menina...

A briga começou porque ela queria saber como ele sabia do final se o filme aquele era o segundo dia do filme em cartaz. No mesmo instante, como num passe de mágica, a menina se lembrou do comentário do funcionário e o questionou: Agora entendi porque aquele cara perguntou “de novo?”. Você veio ao cinema ontem com quem, se você me disse que estava na casa do seu amigo?

O rapaz começou a se contradizer, engasgar, se desculpar, suar frio e se enrolar. A cada desculpa dele, era um grito da menina que chamava a atenção de todo mundo na fila. O barraco estava formado e enquanto mais ele pedia calma, mas ela gritava. O ápice foi quando ela deu um tapa no balde de pipoca e saiu andando em direção ao elevador, gritando para ele não vir atrás dela.

Após uma fração de segundo sem nenhuma reação (embora nessa fração de segundo a menina já estivesse bem longe), ele pediu desculpas as pessoas ao lado que foram atingidas pela pipoca e saiu da fila para ir atrás da namorada. O tempo passou, as pessoas entraram, o cinema estava lotado e deu para perceber duas poltronas vagas, umas três fileiras na minha frente (agora os lugares são marcados). Presumi que eram deles porque, na saída, prestei atenção para ver se os achava, mas não vi ninguém.

Essa foi uma das inúmeras situações que já presenciei em filas. E você? Já viu algum fato inusitado em fila?


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Brigitte Belmont

brigitte@jornalpress.com.br
Brigitte Belmont é jornalista, publicitária, relações pública, fotógrafa, colunista, redatora, revisora, radialista, apresentadora, produtora, modelo, atriz, diretora, escritora, web designer, pintora, artesã, atleta, maravilhosa, esplendorosa, magnífica, inteligente, poderosa, modesta e mulher presente nas mais variadas e distintas situações para mostrar que a cidade não para e está sempre em movimento.

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